domingo, 7 de março de 2010

Amiguinhos de Sempre

 Ventor 07.03.10

Há amigos e há muitos amiguinhos. Estes são aqueles que sempre foram amiguinhos do Quico e também do Ventor.

Já conheço esta perdiz há muito tempo; esta e o par dela. É um casalinho de perdizes que vive com o credo na boca, como diziam, noutros tempos, as minhas gentes.

De vez em quando, sempre que se me proporciona, faço umas caminhadas pelos arrabaldes do seu pequeno território.

Uma perdiz, mas também uma belíssima companheira de caminhadas do Ventor

Elas estão habituadas a fugir de todas as pesssoas, dos cães, dos gatos e sei lá do quê mais! Eu passo quase despercebido, não só para não chamar a atenção delas mas também dos seus inimigos. Elas comigo safam-se bem e até cantam junto de mim! Nesse caso eu dirijo-me para o local oposto e vou-me entretendo com outros bichos e também com as flores. Nessa foto até me deu a impressão que a perdiz subiu a pedra para observar os perigos envolventes e para se certificar se era eu que já estão fartas de me ver e já se terão apercebido que, deste lado, não correm qualquer perigo.

Este observa-me no local oposto e saberá quando se meter dentro do buraco e esse momento será quando correr perigo. Comigo já sabe que não corre perigo e deixa-se ficar

O que se passa com as duas perdizes, passa-se com estes coelhos. Eles têm um buraco por baixo do passeio que termina ali e fogem todos para lá. Eu ainda só vi três juntos, mas acredito que haverão por lá mais uns quantos.

Este é um dos dois que me observaram durante algum tempo e eles confiam em mim porque saem fora para comer e sabem que eu não me aproximo para que se sintam em segurança

Por vezes ficam espantados a observar o meu carro e sabem bem que eu estou lá dentro. Mas se eu saio do carro e bato a porta e o fecho, assustam-e. Entretanto eu começo a caminhar para um dos lados ou ao contrário e eles deixam de fugir e ficam a observar-me. Eles já sabem que o Ventor não faz mal aos amigos e menos ainda a todos aqueles que foram e serão sempre os amiguinhos do Quico.

A flor rosa da malva

Esta flor da malva, pregou-me uma partida. Enquanto eu procurava as perdizes, escondido para as fotografar de mais perto, baixei-me para lhe tirar uma foto. Por cima da minha cabeça estava uma placa de sinalização que me informava que ali havia dois sentidos. Aldrabões! A estrada, naquilo que seria o segundo sentido, tinha terminado, já há anos. Mas esta malta é anã no corpo e na mente, em vez de sinalizarem para gente graúda, sinalizam para anões, em contraponto com a grandeza da estupidez que transportam na cabeça.

A verdade é que dei mais um passo para ficar em melhor posição e uma dor violenta na coluna lombar, obrigou-me a tentar endireitar-me o melhor que podia e zás! Uma belíssima cabeçada de raspão na esquina da placa e esguichou sangue que parecia um fontanário vermelho, saído de um corte com 2-3 cm, no couro cabeludo.

Baixei a cabeça para não banhar a roupa de vermelho e caminhei para junto de um muro, a cerca de 50 metros. O sangue não deixava de escorrer e ainda pensei ligar para o 112, mas pensei: "se não paro isto, quando o 112 chegar, já fui desta para melhor". Peguei em lenços de papel Renova e lá fui tentando estancar aquilo como podia. Perdi mais sangue em alguns minutos do que perdi em toda a minha vida.

Depois disto, relembrei-me das vezes que já cabeciei placas semelhantes e das pessoas que já vi passar pelo mesmo que eu. Relembrando-me também dos cegos, dos velhos e de todos que por qualquer razão, caem numa dessas armadilhas, já sabem o que me apetecia fazer, não sabem? Pois! É melhor eu não dizer nada.

Coleópteros. Existem no mundo, cerca de 350.000 espécies de coleópteros, 30.000 das quais são de escaravelhos

Na minha última caminhada por aquele local, encontrei este amigo que me parecia sem bússula. Ele estava parado num carreirito entre matos e flores. Tirei-lhe umas fotos e prossegui viagem. No entanto, lembrei-me que por ali passariam pessoas e ele, se ficasse no mesmo sítio, teria a vida em perigo. Voltei para trás e lá estava ele na mesma posição. Toquei-lhe com uma palha e lá resolveu prosseguir viagem

Este representa uma das 30.000 espécies de escaravelhos

Ele tentava seguir o seu rumo mas eu ainda o afastei um pouco para mais longe para não voltar ao carreiro e ficar em segurança. Já tinha saudades de ver um destes. Sempre que tenho oportunidade de matar saudades de um bicho que não vejo há muito tempo, faço-lhe uma festa!

Um bezouro negro

Estes já me familiarizei com eles. A minha foto não dá uma ideia do seu tamanho! Eu acho-o um gigante. Mas eu recordo-me que as grandes damas do Império dos faraós, usavam bugigangas de metais feitos à imagem deles. Tanto do escaravelho como do bezouro. Se estivesse aqui o meu Quico, já teria de lhes contar uma história sobre os pichebeques das damas egípcias. Alguns desses pichebeques eram feitos com pedras preciosas, ouro e diamantes. Mas não é de admirar, pois os egípcios adoravam um escaravelho como o deus Khefri. Khefri era representado por um escaravelho, o escaravelho sagrado ( Scarabaeus sacer) ou por um homem com cabeça de escaravelho. Ele era responsável pelo movimento do sol arrastando-o. No crepúsculo, o sol morria e ia para outro mundo, o Oeste e, de manhã, Khefri tinha a missão de o ressuscitar

Vejam o que o meu amigo Apolo tem passado. Era ressuscitado todas as manhãs!


Lince ibérico, em perigo de extinção

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Mais um dia triste

   Ventor 25.02.10

Hoje é mais um dia triste para todos nós. Hoje perdi mais um amigo - o nosso amigo Zé. Ele era um amigo do Quico e de toda a família.

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O nosso amigo Zé

Depois de tanta luta, acabou por partir!

Todos estes dias eu acabo por pensar nos meus amigos. Sempre que me levanto, continuo a fazer tudo o que fazia com o Quico.

Logo que o dia começa a aparecer, vou à varanda e ponho logo os olhos nas gaivotas que vêm do mar esfomeadas para tentar sacar pedaços do pão que damos aos pombos e alguns lixos comestíveis que vão encontrando por aqui, no jardim. Ainda hoje encontrei 8 gaivotas a disputar aos pombos, as migalhas que lhes enviam das janelas e mais umas quantas no ar.

Os cisnes andam para trás e para diante nas águas que se espelham no miradouro do Quico e os patos reais continuam a formar-se em esquadrões alados, treinando os seus voos, enquanto o Tobias, de rabo para o ar se esforça imenso para, de vez em quando, arrancar uma minhoca ao gramado. Enquanto observava toda esta beleza, o meu amigo Zé morria.

Acabaram as nossas passeatas para sempre. Não mais voltaremos a caminhar juntos pelos sítios do Alentejo profundo, pelas praias, falésias e barrancos do Algarve, pelas planuras espanholas, por ...

Tudo acabou! Agora, dos velhos amigos do Quico, só nos restam a Fifi, a Magda, o Rafinho da Joana, o Tobias (o melro que continua por aqui) e todos os outros com que a Natureza ainda enfeita os meus olhos. O nosso mundo já acabou para todos os outros.

A partir de agora, todos eles não passam de recordações. Recordações de muitas alegrias na vida do Ventor e de todos nós. Recordações que acabam culmatadas pela tristeza, última, das suas perdas.

Adeus Zézinho.

Eu sabia que ia chorar por ti e que nunca te irei esquecer. Mas O Senhor da Esfera terá um lugar especial para todos vós, onde aguardarão pelo Ventor.

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Lince ibérico, em perigo de extinção

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Caminhar no Lugar do Sol

 Ventor 21.02.10

Caminhar no Lugar do Sol é para o Ventor uma festa e sendo uma festa para o Ventor, também o será sempre para o vosso amigo Rafinho!

As próprias galinhas do vizinho, lhe fazem a sua festa. Começa por ser um galo a perguntar-lhe: "já andas por aqui paparasi"?

Depois vem tudo! Galinhas, galos, patos, ... e alguns nem saem, como os perús e outros. Mas o Ventor, fazendo juz à provocação, só dispara!

As galinhas do vizinho lá de baixo

No meio de um campo florido de azedas e não só, que mais podem desejar as galinhas? Elas têm comer em casa, têm ervas no campo, têm liberdade, têm tudo! Por isso nada vem melhor que uma paródia com o Ventor.

Este galo aproxima-se um pouco mais do Ventor para lhe perguntar como arranjou maneira de imitar os paparasi

Depois os galos fazem o seu papel. Nada de misturas, nem com o Ventor! E ei-los, armados em senhores dos espaços que consideram vitais para as suas famílias. Este não está zangado com o Ventor, não. Apenas está a dizer-lhe para não se intrometer muito, mas não se esquece da história do pica-no-chão e sustem as intenções.

Este meu amigo, que chega a aproximar-se para conversar comigo, está a perguntar porque o Ventor não me leva com ele e me solta um pouco para eu lhes falar das vidas dos humanos. Talvez, com o tempo, ele venha a saber, ao certo, que nem todos os homens são como o Ventor

Mas, todo este espaço, em redor do Lugar do Sol, tem sido uma maravilha para o Ventor. As previncas enfeitam-lhe o chão como uma carpete azulada e as azedas acabam por o dourar com um belo tom amarelo, multifacetando todos os recantos.

Nesse chão colorido com o verde das ervas, com o amarelo das azedas e com o tom azulado das previncas, misturados com outras flores e arbustos, ouvem-se dentro da rede o caquerejar das perdizes, vindo lá de longe e observam-se no seu exterior, os coelhos bravos, que foram amigos do Gaspar I, alimentando-se, atentos a tudo que os rodeia e, especialmente, quando sentem por perto, o nosso amigo Ventor.

Dantes, o Ventor e o Gaspar I, de pé, sobre o muro, ficavam por alguns momentos, a deliciar-se com as caminhadas dos meus companheiros, os coelhos bravos, uma beleza que, não sei por quanto tempo ainda farão parte das belezas deste mundo

Até à próxima. Deixo-vos aqui um abraço,

do vosso amigo Rafinho,


Lince ibérico, em perigo de extinção

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

No Lugar do Sol

  Ventor 15.02.10

... uma caminhada entre amigos.

Hoje, sou eu, o Rafinho que, com a ajuda do Ventor, vos vou aresentar, os meus novos amigos.

Este, em baixo, é o meu novo amigo que veio para substituir o velho Gaspar, atropelado numa estrada aqui perto, quando partiu convencido que iria encontrar os nossos donos.

A minha dona foi buscar lá para os lados do Porto este amigo, o Gaspar II que nunca substituirá o outro, mas falar em substituir, é uma maneira ténica de dizer as coisas. Foi assim que o meu amigo Quico me ensinou quando eu passava lá por casa para visitar ele, o Ventor ... toda a família. Eu e o Quico conversávamos muito. Digam lá que este meu novo amigo não é um cão lindo! É um digno sucessor do Gaspar I.

O Gaspar II

Esta menina de baixo, é a minha amiga Maria - a irmã do Gaspar II.

Quando a minha dona foi buscar o Gasppar II, o Gasppar chorava por ela e ela pr ele e, como a pessoa que iria ficar com a Maria desistiu dela, a minha dona resolveu trazê-la também. Assim, já não ficaram uma vida inteira a chorar um pelo outro e são muito felizes aqui connosco. Eles são muito meigos e amigos.

Maria, a irmã do Gaspar II

Depois apareceu o Stick. Mas a história do Stick é diferente. A vida correu mal aos seus donos e resolveram oferecê-lo à minha dona que teve pena dele e acabou por o trazer. Ele é uma meiguice e só passou a haver um problema para resolver entre ele e o Gaspar II. Quem, de facto, vai mandar, cá em casa, depois dos nossos donos? Só poderá ser um, pois não será bom para bem da civilização canina, haver mais do que um comando. Parece que o Stick está a ver se as coisas se compõem e disposto a não reivindicar o lugar de chefe, desde que haja um bom entendimnto entre os dois, pois o Gaspar aceitou-o muito bem e onde está um, está sempre o outro. São os dois bons rapazes.

Stick, o amigo que entrou no Lugar do Sol, também para ficar

Este é o Gil! Esteve a morrer, mas safou-se bem. O Vet dele fartou-se de trabalhar para ajudar o gajo a sair de todas as maleitas que o acompanharam. Agora ele com o dono, já me parecem tão amigos, como eram o Quico e o Ventor. O Ventor disse-lhe para ter cuidado com os peixes e ele disse-lhe logo: "que tens tu a ver com isso? Apetece-me um peixinho"!

Imaginem se lhe dá para lhe apetecer um coelhinho! Mas não, nós somos todos amigos.

Gil, o gato que sobreviveu a tudo

E este que vêm aqui sou eu - o Rafinho da Joana. Eu sou o único, de nós todos, que conheci o nosso amigo Quico e agora eles só querem que eu lhe conte histórias do Quico e do Ventor. Eu ouvi os dois a conversarem sobre muitas coisas e depois, quando o Ventor não estava o Quico ensinava-me a mim as histórias que o Ventor lhe contava. Talvez vos conte aqui algumas que me recorde.

Eu sou o Rafinho da Joana

Mas fica para outro dia. Por agora só vos apresentei os meus amigos, mas também vos digo que estou muito triste. A família das chinchilas, passam a vida a dormir e eu, para me aquecer, vou para junto deles, aqui nas cavernas dos cepos das madeiras, mas como eles só dormem, até parecem lagartos a invernar! já não sei que fazer, até parece que estou aqui sózinho, a ver os cães a passar. Nem o Ventor me conseguiu animar! Mas talvez tudo melhor, pois vem aí a Primavera e já hoje esteve um dia muito lindo.

Como vocês saberão, com a chegada da Primavera, tudo melhora! Os passarinhos começam a cantar mais animados, os coelhos vivem mais felizes, brincam muito, as chinchilas com outro ânimo, passam a ter outra azáfama e eu com elas. Tudo vai melhorar, espero!

Voltarei a passar por aqui se o Ventor me deixar.


Lince ibérico, em perigo de extinção

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Caminhando entre Amigos

   Ventor 07.02.10


... "os amigos do Quico"!

Ontem levantei-me cedo, como normalmente faço. Após o duche da manhã, fui até junto do miradouro do Quico. Dali, o Quico e eu mirávamos tudo, agora miro eu sòzinho e é nestes momentos que não consigo esquecer o meu companheirinho Quico. Como diz o João, ele foi pr'a rua!

Mas os olhos do meu Quico estão em todo lado. Talvez no olhar deste pombo

Dali, observei os nossos amigos, em exercícios de voos reais! Exercícios de voos reais, levados a cabo por patos reais. Houve tempos em que observava exercícios de fogos reais e agora observo exercícios de patos reais. Ver estes animais penudos exercitarem-se logo pela manhãzinha, nos seus voos em grupos, tornou-se para mim uma beleza real e já me consegui certificar que quando passam junto da minha janela, me observam e sabem que eu e eles já temos um caminhar comum na senda do bem.

... no olhar desdte pato ....

Eles voaram em ciclos e, por fim, houve um que poisou na água mesmo à minha frente. Os outros sete foram dar mais uma volta e parecia que iam aterrar junto dele, pois fizeram um voo raso, mas foi só para lhe chamarem um nome. "Estoiraste, cansadinho! Maricas"! E lá prosseguiram com mais uns ciclos até que por fim, lá poisaram, um pouco mais abaixo, que patos cansados devem ser votados ao ostracismo durante a recuperação de novas energias. Depois fica tudo bem ao iniciarem mais uns voos, pois na vida de patos, como em qualquer outra, tudo deve estar operacional!

... desta alvéola ...

Fiquei cheio de inveja destas belezas! Saí mais a dona do Quico, fomos buscar a Verónica (a moça romena que nos ajuda de vez em quando cá por casa), a Alfragide, fomos beber café e levei-as a Massamá. Depois pisguei-me! Achei que os patos reais me convidaram para ir fazer uma caminhada, junto deles, e assim fiz. Fiz uma caminhada de 2 horas entre vários amigos.

... deste cavalo ...

Comecei por ter um encontro com cavalos que a minha máquina rebocou até este blog e lá fui ter com outros patos que não os meus vizinhos pelas ribeiras que mostram os caminho ao rio Jamor e lhes vão enchendo o leito de histórias sem fim.

Mas isto tem estado muito aquém dos mínimos e não me foi fácil fazer essa caminhada. Não seria sequer capaz, não fosse o alento dado por estes belos amigos. E, já próximo do fim, encontrei mais um amigo especial, que se aproximou de mim, olhou-me nos olhos e disse-me que iria fazer uma exibição para me animar, a tentar apanhar um pato real. Fez algumas 10-12 investidas contra os patos que se encontravam nas margens e, mal ele se aproximava, esquivavam-se água dentro.

...deste gato!

Por fim, não conseguindo apanhar pato nenhum, como gostaria, pediu-me para ter calma pois ainda não tinha desistido. Iria só fazer uma pausa e fazer outra tentativa pelo meio, desta vez com um rato! Eu disse-lhe que o rato estava no meio das ervas, mas o gajo tentou tudo para me impressionar com as sua técnicas felinas de caça e, mesmo não tendo caçado nada, impressionou-me mesmo!

Gato que aguentou várias investidas contra os patos mas, quando borrifado com água, acabou por desistir, derreado!

Depois, lá foi fazer mais três tentativas de assalto contra os patos, e quando eles entraram água dentro, fizeram-no com tanto afinco que o chapinharam com água, estragando tudo, pondo termo à brincadeira.

O gato olhou para mim e disse: "Desisto, Ventor, já me molharam"!

Assim nos separamos, gato, patos, galinhas d'água e eu. Os patos, as galinhas, restante passarada e os ratos, lá ficaram. O gato e eu seguimos nossos destinos.


Lince ibérico, em perigo de extinção

Quico

  O Quico continua a observar-nos Ele era o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ...