sábado, 21 de abril de 2007

O que diz o Ventor

O Ventor diz-me que os animaizinhos que as pessoas levam para casa são muitas vezes esquecidos de um tratamento adequado. Ficam sem água, sem comer, ao frio ou ao sol, por desleixo ou malvadez dos seus donos.


Já há alguns anos que o Ventor encontrava um ou outro pássaro de gaiola esvoaçando sobre as nossas cidades, mas isso seria porque, por qualquer razão, teriam fugido da gaiola ou porque alguém de maus fígados decidira, pura e simplesmente, abandoná-los.


Mas o Ventor diz que agora tem sido demais. Será por causa da gripe das aves?



Uma beleza perdida no ramalhal, observando o Ventor


Há um tipo de periquitos, quase "louros" que começaram a aparecer em zonas da grande Lisboa, sobre eucaliptos, cedros e outras árvores. Mas o Ventor não se esquece de três que viu esfomeados numa nespereira, cheios de fome a devorarem as nesperas com uma sufreguidão incrível.


Depois começou a ver outros e outros e ainda mais outros.



Este também observa o Ventor


Há dias, junto à escola do Tomás, sobre umas árvores, viu entre 12 a 15, mesmo em frente do nariz, mas nesse dia tinha deixado a máquina fotográfica e a situação não era adequada para o telemóvel devido ao sol forte.


Actualmente,  tem visto destes amiguinhos por vários lados, sobrevoando as cidades de lés a lés. No entanto, sem arranjar justificações apressadas para esse progredir de pássaros tropicais, na zona lisboeta e arredores, atrevo-me a deixar aqui um pedido para os donos de "penudos".



Este ainda observa mais, pois roda à medida que o Ventor se desloca. Todos se portaram muito bem e, na sua linguagem, conversaram com o Ventor.  São lindas maravilhas companheiros das nossas caminhadas.


Não abandonem os vossos animais! Não pensem que, abandonando os vossos animais penudos se vêm livres da gripe das aves. Antes pelo contrário! Acabam por espalhá-la e fazer com que ela avance ainda mais.


Se a gripe das aves atacar a sério, podem crer que não será por abandonarem os vossos animais que se verão livres dela. Além disso, o Senhor da Esfera saberá dar o verdadeiro castigo a quem o merece!

sábado, 7 de abril de 2007

Dia Nacional dos Moinhos

Hoje é o dia nacional dos moinhos.


Talvez muitos de vós não se apercebam disso, ou porque não se recordam ou porque ainda não sabem, mas eu sei porque sei que o Ventor gosta muito dos moinhos velhinhos e, de certeza, que se os houver novos, também gostará.


Por isso, e para que o Ventor não deixe passar este dia, não se recordando dos ....


Bolas!!! ...


Ele não deixa passar nada! Eu queria-lhe fazer uma surpresa e está a dizer à minha dona que hoje é o dia nacional dos moinhos!! Já não lhe vou fazer surpresa nenhuma!


Mas vou continuar, pode ser que ele não lhe dê para vir aqui!


Vocês não sabem, mas ele adora moinhos! O Moleiro e o Moinho ... o Moinho e o Moleiro .. sei lá! Talvez fosse algo em que ele gostasse de passar o seu tempo.


Sabem porquê? Ele nunca se esquece da Flora e do Moleiro, uma história que ele sabe e que já me contou. A Flora tinha muitos moinhos e, ... bem, depois, um dia por aqui, eu conto. Só vos digo que o Ventor descobriu que ela transformou o moleiro num veado acusando-o de aldrabar na maquia. Vejam só! Ainda hoje se usa muito isso por aqui, mas podem transformar tudo nas aldrabices que lhes apetece, mas nunca transformar trabalhadores actuais, em moleiros e muito menos, em veados!


Podem transformar canudos, podem inventar canudos, ... não tem nada a ver com o Sócrates ... podem roubar nas maquias, mas transformar moleiros em changos, veados, nah!!!!


Mas vamos ao que interessa! Vivam os moinhos!


Agora tenho de roubar aqui uma foto a este gajo! Ele tem tantas fotos que conseguem esconder os moinhos e tudo! Vou procurar. Talvez arranje uma a meu gosto e ...


Pode ser esta!



Um moinho que o Ventor trouxe, no outro dia de Castro Verde ... Olá, amigos alentejanos!


Eu sei que os moinhos do Ventor não são destes, são daqueles movidos pelas forças das águas que nascem, no cimo, pelas encostas da sua serra e outras. São aqueles em que as águas furiosas batem no rodízio com tanta força que fazem mover a mó, lá em, cima colocada sobre um eixo vertical e depois, sobre a mó, bate, de uma forma paranóica, uma taboinha que faz estremecer os grãos e depois vão caindo a uma certa cadência para um buraco, no centro da mó, que esta vai triturando furiosamente.


Este é que é o moinho do Ventor!


 


O Moinho da Ponte, em Adrão!


Os moinhos da Flora eram assim, como este!


Poupem os moinhos para os vindouros, para os vossos filhos, os vossos netos, todos os que vem na nossa peugada!


E que por muito tempo prossigam, também na sua caminhada, se não todos, pelo menos muitos dos nossos moinhos.


Mas amanhã é Domingo de Páscoa e, amêndoas é com o Ventor! Desejo a todos uma Páscoa muito Feliz, mas se quiserem amêndoas, têm de ir aqui às amêndoas do Ventor  mas só amanhã a partir  da manhã! Vão lá que ele come só três!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Incongruências

Ontem o Ventor foi às flores e aproveitou para homenagear o Domingo de Ramos.


Como a Informática ainda está na "idade da pedra" para os gostos do Ventor, só hoje eu vos falo aqui das suas alegrias e tristezas de ontem.


Ontem de manhã ele foi passear entre as flores e fotografar algumas e de tarde foi à procura de alguns dos seus amigos. Mas ficou triste porque, o homem tanto quer arranjar que, muitas vezes só acaba por estragar. Por desleixo, por incompetência, por incapacidade, por falta de sensibilidade ....


Há dias, o Ventor entrou num sítio que tinha à entrada, do lado direito, uma belíssima figueira. Essa figueira era um dos monumentos desse local público. Ontem, ao entrar e dar por falta da figueira, ficou muito triste. A figueira é uma árvore mediterrânica e enfeita qualquer local aprazível e aquela não havia nenhuma necessidade de a cortarem, pois ela nada implicava com aquele ambiente. Bastava que a limpassem e ela continuaria a dar figos e a alimentar várias e belas borboletas, algumas das quais nós ainda nem na Net encontramos e uma outra que nem sabíamos que existia encontrou-a várias vezes a empanturrar-se do suco dos figos.


 


O Ventor diz que lhe chamam a borboleta do medronheiro, mas também diz que está farto de ver medronheirose nunca lá viu uma, embora, na zona onde fotografou esta seja uma zona de medronheiros. Mesmo assim, só a conseguiu ver na figueira ou em volta dela.


Esta viemos a saber que se tratava da borboleta do medronheiro. Se é verdade que ele nunca as encontrou nos medronheiros também é verdade que tirou muitas fotos lindas dessas borboletas,  nessa figueira! Também vários passarinhos foram, por muitos anos, belíssimos clientes dessa bela figueira.


 


Uma vez, numa tarde quente, o Ventor viu três dessas borboletas serem perseguidas por um tira-olhos e verificou que elas se foram esconder entre as folhas dessa figueira. Mas não foi só a figueira! Caminhou por entre as belas árvores desse local e encontrou o tronco deste velho castanheiro assim.



Um velho castanheiro, morto por dentro, mas estava vivo por fora


Ele entrava e seguia o rumo da sua caminhada, mas nunca deixava de passar por aquele local para  visitar aquele velho castanheiro. Ele gostava tanto dele que lhe tirava imensas fotos, especialmente, às suas folhas verdinhas e belas, bem como ao seu tronco onde existia um ninho de picapaus.


Encontou-o assim e claro que ficou muito desapontado! Aquele castanheiro era um velho amigo e um monumento que não dava castanhas mas enfeitava aquele local como nada mais. Bastava limpá-lo e ele continuaria a brindar-nos com a sua presença.



O Ventor crê que ele não resistirá, mas quem sabe?


Também lá encontrou este belo ratinho, e nunca lá tinha visto nenhum destes, não sabe se aquele é o seu local de habitat e da sua família se foi transportado, por acidente, juntamente com os pedregulhos e areia que lá colocaram para aplainar o caminho. A verdade é que o ratinho estava a morrer. O Ventor pegou numa folha de eucalipto, tirou-o do caminho e colocou-o num local onde, ou iria resistir ou iria morrer descansado.


Mas no meio dessa tristeza, o Ventor verificou e "ouviu" um olá muito especial destas belezas: as suas dedaleiras! Ele tem esperança que não se metam com as dedaleiras e que as deixem viver. "Let him live"!




Se as deixarem em paz ainda alegrarão muitos olhos, especialmente os do ventor


O Ventor só não faz aqui um grande "insulto" aos responsáveis por aqueles trabalhos porque julga que foi feito na boa fé. Eles terão cortado o castanheiro para alargar o caminho para uma eventual necessidade da passagem dos carros dos bombeiros, mas se analizarmos bem, talvez não houvesse necessidade disso. A figueira nunca perceberá porquê! Abater um castanheiro, se calhar com umas centenas de anos para fazer passar os carros dos bombeiros tantos anos depois!  Era um castanheiro minorca mas muito velho, por isso um monumento!


Havia uma coisa que eles poderiam pensar em fazer. Organizar uma pequena fuga de água para os animais beberem. Em 2005 o Ventor levou água a uns gatinhos sedentos que lá se encontravam e qual foi o seu espanto? Ver os gaios sedentos a despejar a água em vez dos gatos. Vejam lá meus senhores se são mais sensíveis às questões gerais desses pequenos espaços que não serão, certamente, apenas encanto do Ventor!

Adeus Amigos

Tive de partir. Agora deixo-vos sós com o Ventor. Que o Senhor da Esfera vos ajude a todos. A mim já me levou. Pedi ao Ventor para public...