terça-feira, 22 de setembro de 2009

Adeus Amigos

quico.jpg

Tive de partir. Agora deixo-vos sós com o Ventor.

Que o Senhor da Esfera vos ajude a todos. A mim já me levou.

Pedi ao Ventor para publicar as histórias que deixo, mas ele ficou tão triste que não sei se o fará.

Para todos vós, uma marradinha do vosso amigo Quico.

Os meus Blogs ficam suspensos por tempo indeterminado. Dependerá do que irá fazer o Ventor e do nosso amigo Mitonde.

 

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Joana, a nossa Princesa

Joana a posar para o Ventor em 25 de Julho de 2009, no casamento, e na casa da tia Tata

Joana a posar para o Ventor em 25 de Julho de 2009, no casamento, e na casa da tia Tata

Joana, hoje, no seu 9º Aniversário, no Restaurante Mexicano

Joana, hoje, no seu 9º Aniversário, no Restaurante Mexicano 

A Joana, (lembram-se dela?) é a nossa Princessa. Minha e do Ventor. Já lá vão 9 anos que a vemos crescer. Quando eu estava bom, fugia à sua frente para ela não me puxar o rabo. Agora sinto-me triste porque não tardará muito, perdê-la-ei para sempre. Mas ela continuará sempre por aqui com a sua família e com o Ventor e tenho a certeza que nunca esquecerá o seu amigo Quico.

Muitas Felicidades Princesa e que tenhas muitos Aniversários sempre prósperos e com muita saúde. Que o Senhor da Esfera nunca te abandone tal como os meus olhos azuis nunca te abandonaram. E quando eu morrer, nunca te esqueças do teu amigo Quico e do Ventor.

domingo, 30 de agosto de 2009

O Muranho e os Lobos

Alguns dos nossos amigos, meus e do Ventor, sabem que eu estou muito doente. Perdi a vontade de comer e tenho muitas dificuldades em respirar. Ando nos Vet's.

Uma noite destas apeteceu-me ir deitar-me junto do Ventor e da minha dona e estendi-me à cabeceira entre os dois.

E, verifiquei, que o Ventor voltou a sonhar!

O Ventor fez-me muitas festas na cabeça e, algum tempo depois, adormeceu. E deixem que vos diga, não tardou muito que o corpo dele nunca mais parava. Eu percebi a aflição dele mas não podia acordá-lo. Só se fosse à dentada ou à unhada e isso não podia ser porque o Ventor não merece nada disso. Alguns dias atrás ele já tinha tido o mesmo sonho mas não deu para acabar pois acordou aflito. Ele contou-mo, mas não lhe dei importância!

Então não é que, dias depois, voltou a reiniciar o mesmo sonho!

O Ventor contou-me o que sonhou. No primeiro, foi só a parte do pesadelo e não liguei, no segundo, foi o pesadelo e a parte maravilhosa de ter lobos como amigos. Foi um sonho perfeito!

Pois foi assim.

O Ventor voltou ao Muranho já duas vezes e das duas vezes, em sonhos. Duas vezes depois de lá ter estado na realidade, em 9 de Agosto, com os seus amigos.

Apeteceu-lhe voltar às suas Montanhas Lindas chegando ao Poulo do Muranho já tarde e com muita sede. Tão tarde que já não dava para regressar com dia e foi beber água à nascente e encher o cantil. No regresso já não via quase nada de jeito a não ser a silhoeta da serra da Peneda no horizonte e o vulto negro do cortelho para onde se dirigia e, então, começou a pensar que iria ficar ali, pois sempre era melhor que descer, de noite, aos trombalhões.

Um cão, em Arcos de valdevez. Nada tem a ver com os cães selvagens, pois olhou-me e nem me ladrou. É um belíssimo animal

De repente, sentiu que algo corria em sua perseguição e ele acelerou, fazendo uma grande corrida até ao cortelho, subindo para cima dele. Quando iniciou a corrida ouviu cães a ladrar e os cães eram mesmo maus e com um aspecto horroroso, tipo coiotes. Era uma matilha de cães selvagens que queriam atacar o Ventor. O Ventor, a alta velocidade, só parou em cima do cortelho, com a sacola das máquinas, o comer, a água e o cajado que teve o cuidado de pegá-lo quando subia. Depois os cães queriam subir para cima do cortelho e o Ventor defendeu-se, valentemente, com o cajado. O coração dele parecia bater a 200 à hora.

Depois, enquanto continuava a grande escaramuça com os cães a tentarem subir e o Ventor à paulada neles, lobos começaram a uivar do lado da Serrinha. O uivo dos lobos cada vez se tornava mais intenso à medida que se aproximavam. Era um uivar desesperado e pouco tardou, eles faziam grande correria no Poulo rumo ao cortelho. Os cães selvagens fugiram pelo Muranho abaixo, rumo à Naia. Mas os lobos sentaram-se, muito cansados em redor do cortelho de costas para o cortelho e para o Ventor e foi aí que o Ventor teve um momento de tréguas que aproveitou para tirar o telemóvel e ligar para toda a gente. Mas ninguém o ouvia!

O Ventor pensou que iria ter de resistir àquela alcateia de lobos porque eles estavam muito cansados e não tardaria muito, iriam lançar o seu ataque. Assim, tal como eles, aproveitou para descansar um pouco e continuar a tentar telefonar. Depois começou a pensar porque terão aqueles seus velhos antepassados, construído o cortelho tão baixo! Ainda por cima, naqueles tempos, haviam muitos mais lobos que hoje!

A noite avançou e os lobos mantiveram-se sossegados, sempre de costas para o Ventor. Ele contou seis lobos mas, depois, chegou outro lobo velho, coxo, que se foi sentar virado para o Ventor, em frente dos três que estavam do lado da fonte. Os três lobos deram ao rabo e o ventor viu o quarto lobo à sua esquerda a olhar de lado e a dar ao rabo, também. Por fim o Ventor resolveu enviar város S.O.S., pois podia ser que alguém o ouvisse. Ele transpirava e estava encharcado e começou a sentir a frescura da noite no Muranho, onde nunca tinha dormido.

E o Ventor continua a contar-me a sua odisseia que diz nunca mais esquecer:

"Ao raiar da aurora, os lobos permaneciam na mesma posição e, vindo da Naia, comecei a ouvir o som de motores de veículos em movimento pois tinham ouvido os meus S.O.S.. Lá longe, sobre o Xerez espanhol, aparecia vermelho de raiva, o meu amigo Apolo que me dizia": «tem calma Ventor, tudo vai correr bem»!

O roncar dos motores de poderosos veículos vermelhos que subiam do Poulo da Ferrada, rumo ao Muranho, parecia que faziam tremer todas as montanhas à sua volta, e o Ventor disse-me que até o S. Bento do Cando primeiro e a Senhora da Peneda depois, se colocaram em sítios de maior visibilidade para ajudarem o Ventor a esquecer o início deste sonho. Com a presença da luz de Apolo a iluminá-lo, tudo parecia começar a ser diferente, mas os bombeiros chegavam vestidos de vermelho, vejam lá, e de carabinas em riste que deixaram o Ventor tão nervoso como os lobos.

Sim, porque os lobos permaneciam nervosos nos seus postos!

O Ventor pediu aos lobos para sairem dali o mais rápido possível porque os homens que vinham em seu socorro, vinham armados com carabinas de longo alcance.

"vão-se embora! Fujam"! Gritava-lhes o Ventor.

Os lobos, nervosos, pareciam tê-lo ouvido e o lobo velho, virado para o Ventor, acenou a cabeça e todos os outros se puseram a caminho.

O lobo velho foi atrás deles, coxo, tentando acelerar o seu passo, mas o Ventor reparou que, à saída do Muranho, iniciando a subida da Serrinha, só iam 6 lobos. Um dos homens da primeira viatura que chegou junto do Ventor, apontou a carabina aos lobos que iniciavam a subida da Serrinha em alta correria, exactamente, no mesmo local, onde o Ventor há muitos anos viu o primeiro lobo numa montaria. Ele fez menção de lhe mandar o cajado para lhe acertar e fazer falhar o tiro, mas o Bombeiro, vestido de vermelho, disse-lhe que estava só a fazer mira, que os lobos não podiam ser abatidos, que ficasse descansado. E o Ventor ficou!

O Ventor explicou aos bombeiros que os lobos não o atacaram, mas que o ataque foi apenas realizado por cães selvagens e, pelo que observou, achava que os lobos vieram em correria para o defender desses cães maus.

Depois, quando o chefe dos bombeiros pediu ao Ventor para entrar num dos carros, o Ventor disse que não saía dali sem beber água mais uma vez, e dirigiu-se à nascente.

"Este gajo é parvo disse um dos bombeiros. Passou uma noite horrorosa e mesmo assim não tem pressa"!

O Ventor tinha contado os lobos que subiam a Serrinha e faltava um - o lobo velho coxo! Os outros seis lobos sentaram-se no horizonte, da Serrinha a olhar o Muranho, enquanto o Ventor se dirigia à nascente. Chegando à nascente, saíu de entre as urzes o lobo velho coxo e o Ventor perguntou-lhe o que faziam ali se em toda a noite nunca o atacaram. O lobo velho coxo, disse ao Ventor : "nós nunca puderíamos deixar que os cães selvagens atacassem um dos nossos melhores amigos"!

O Ventor e o lobo velho abraçaram-se, como dois homens e, quando o Ventor olhou para o cortelho estavam ajoelhados no chão, um grupo de bombeiros com as carabinas apontadas mas, o Ventor, muito inseguro quanto às carabinas, fez sinal com o braço para ficarem quietos. Os bombeiros, ao verem o Ventor e o lobo abraçados, começaram a bater palmas e os outros seis lobos no horizonte da Serrinha, visto do Muranho, começaram a uivar.

O som dos seus uivos continua a martelar o cérebro do Ventor!

O porquê deste sonho, na opinião do Ventor?

1 - Há alguns anos atrás, contaram ao Ventor que existiam cães selvagens nas fraldas das suas Montanhas Lindas e que os lobos é que pagavam os seus estragos.

2 - Há dias, na televisão, o Ventor ouviu alguém dizer que haviam cães selvagens que procriavam na serra da Arrábida e se podiam tornar perigosos.

3 - Os amigos do Ventor e a minha dona, insistiram com ele para dormir nos Cortelhos do Muranho quando em 09 de Agosto foram fazer a sua caminhada à Pedrada. Assim, sempre veriam o pôr do Sol no Alto da Derrilheira e depois veriam o seu nascer sobre as montanhas do Xerez espanhol. Eles emprestavam um saco cama ao Ventor.

Mas o Ventor não queria, de maneira nenhuma, deixar a minha Dona só e disse, sempre, que não, ficando, no entanto, com a esperança de um dia isso vir a acontecer. Depois, terá sonhando, imaginar como seriam as partes negativas e positivas de uma dormida nos Poulos do Muranho ligando tudo que no seu cérebro tinha a ver com o assunto, não se esquecendo do lobo que, no final da década de 50 viu subir, correndo, rumo à Serrinha, exactamente no lugar que contou a retirada dos seis lobos que, tão simpáticamente, o vieram a defender dos cães selvagens imaginários.

São complicados os sonhos, não são?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Caminhada da Coragem

A minha Dona com tantos problemas que tem, só quer ver todos bem à sua volta. Ela consegue colocar a máscara dos sorrisos sobre a sua máscara real, aquela em que só vemos sofrimento e encher-se de coragem para caminhar mais uma vez ao lado do Ventor. Na 4ª feira de 5 de Agosto disse ao Ventor: "prepara-te para ires fazer a tua caminhada às tuas (nossas) Montanhas Lindas".

O Ventor perguntou-lhe se achava que tinha estofo para outra caminhada como a que fez no mês anterior e o seu sorriso abriu-se, dizendo: "senão tentar, nunca saberei"!

E lá foram!

Há 3 anos que o Ventor sonhava voltar à Pedrada.

Na 5ª feira, o Ventor com um problema num pneu do automóvel, e achando que devia velar melhor pela segurança da minha Dona, prometeu ao Cinzas uns "sapatos" novos para andar às voltas daquele pedaço de Paraíso e foi comprar 4 pneus novinhos. E lá foram os três: o ventor, a minha Dona e o Cinzas que estava todo contente por andar pelos sítios por onde andava o seu irmão preto.

A minha Dona ao chegar perto do Porto, disse ao Ventor: "Vila Nova de Gaia é tão bonita na sua frente ribeirinha. E se fôssemos lá almoçar"? O Ventor disse-lhe: "é para já"!

Chegados junto ao rio Douro, o Ventor deixou a minha Dona sentada num banco de pedra e foi à procura de um lugar para o Cinzas.

Quando chegou, já a minha dona tinha traçado dois planos: almoçar no Transmontano e se desse tempo e houvesse bilhetes, dar a volta das pontes no rio Douro num daqueles barcos, onde metem pessoas, parecidos com os barcos rabelos.

 

Um dos caminheiros do Douro

Quando o Ventor se apanhou no Transmontano, no fresquinho, rodeado de coisas boas ia pensando que, se calhar, teria de ficar a lavar pratos como aconteceu a um amigo seu, nos anos 60 no restaurante da Torre Eifel, em Paris.

Mas não! O Ventor lá conseguiu arranjar os setenta e tal euros para pagar o almoço para os dois. E se eles ficassem com a limusine da minha dona?

Acabaram de almoçar e dirigiram-se ao barquinho que os iria levar nessa caminhada pelo belo Douro. Mas a minha Dona disse logo: "não te esqueças que hoje é o aperitivo para a outra caminhada maior até à Régua e volta. É apenas um ensaio"!

"OK" - disse o Ventor. "Quando quiseres, desde que não faças cara feia"!

E se o Senhor da Esfera der uma ajudinha, o Ventor vai levá-la lá.

Por isso, deixei, em cima, um cheirinho de Douro. O Ventor disse-me que foi pena o tempo não dar para ir à prova de vinhos, mas tinha de estar às 17 horas em Ponte da Barca. Por isso começava a haver riscos. Provar os éters do Douro e acelerar para chegar a tempo não começava a ser boa ideia. Soprar no balão e colocar um olhar de espanto nos GNR's ou obrigar os GNR's a escrever a multa do excesso de velocidade com um romance atrás? Nah! Isso não é do Ventor!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Sardão da Peneda

Mais uma das histórias do Ventor!

No dia 11 de Julho, descendo com o Alex e com a Tina aquelas escadarias da Senhora da Peneda, quando Apolo já beijava todo o vale, o Ventor disse-me que se apercebeu, ainda um pouco longe que, lá em baixo, num outro lance de escadas, havia uma imagem que, pela forma, lhe parecia familiar.

À medida que nos aproximávamos, o objecto e a sua sombra deixaram de parecer um sardão e passaram a ser o sardão!

O Ventor caminhava e, como costuma, ia olhando tudo em volta, como se costuma dizer, sempre com um olho no burro e outro no cigano e se ali não haviam nem burros nem ciganos, sempre haveriam cobras e lagartos! E, então, apercebeu-se que se tratava de um objecto que com a sua forma e sombra lhe fazia lembrar um sardão ou, então, teria de ser mesmo um sardão.

Caminhando mais um pouco, apercebeu-se que se tratava de um sardão e, por sinal, um sardão bem atrevido na sua maneira de olhar o mundo, o Ventor e os amigos!

Ele não queria acreditar que o seu local preferido seria também um local de tormenta devido à gente que por ali passa, mas o Ventor sabe que ele pode arranjar melhor palácio por ali

Primeiro, ele não fugia dos três caminhantes que, sem pressas, se dirigiam em sua direcção e, apontando as máquinas, começaram a fazer "fogo"! Click ... click ... click ...

Então o bicho que, mesmo não sendo duque nem conde da Peneda, impertigou-se contra os paparasis atrevidos que lhe estragavam a toma das benesses do nosso amigo Apolo que, na Peneda, àquela hora da manhã, sabem sempre bem. Portanto, nem pretendia retirar-se, nem dar benesses àqueles paparasis feitos à pressa.

O seu sossego é permanentemente perturbado pelos turistas que nunca se cansam de desgastar as escadarias da Peneda

Mas quando se convenceu que aqueles três não se desviavam nem que a vaca tossisse, ele torceu-se um pouco e arqueou o rabo em tom de ameaça. Disse-me o Ventor que imaginou logo um sardão reguila e cheio de juventude, julgando-se um novo senhor do mundo. Mas o Ventor que chegou a pensar que aquele reguila iria avançar para ele, lembrou-se que esses marotos já têm feito isso, embora nunca com ele. Mas conheceu casos desses, tais como mulheres vestidas com saias ou vestidos com tons vermelhos. Mas o Ventor que ia um pouco à frente da Tina, reparou que ela não levava nada vermelho e se o bicho lhe passasse pela cabeça uma sortida, seria ele o primeiro alvo e imaginou-se com o sardão agarrado às calças lembrando-se dos gritos do seu companheiro de guerra, Coutinho, que em Marrupa, numa noite da caçada às ratazanas, gritava: "Ventor esta gaja não me larga as calças"!

Chateado ou não, ele terá dito: "chiça! Será que não irei ter sossego"?

Seria o sardão reguila capaz de atacar o Ventor?

Nah! Ele achou que não, mas quem sabe? O sardão esteve preparado para o impulso, mas tomou o caminho certo. Desceu o degrau e enfiou-se no seu palácio de verão!

Agora que me recordo do que o Ventor me tem dito sobre a romaria da Senhora da Peneda, com os romeiros a subir e a descer as escadas, que fará o lagarto em Setembro?

Será que se junta à malta e vai com eles pedir a protecção da Senhora da Peneda?

Seja o que for que aconteça, o Ventor já pediu à Senhora da Peneda para dar protecção ao sardão, seu guardião porque, sendo assim, ele ainda vai conseguir animar outras gentes e, quem sabe, num dia dos próximos anos, o Ventor volte a ver o bicharoco como ele gosta! Todo vestido de verde com aquela grande papeira azul e, a dizer ao Ventor que já é o amigo que ele esperava - o Grão Sardão - Duque da Peneda!

E, mais uma vez, lá decide refugiar-se nos seus aposentos

Ele é ainda um rapazola, quando um dia, com sorte, for mais velho, será um grande lagarto. Na passagem da Peneda, para Lamas de Mouro, fica a Portela dos Lagartos e todo o ambiente da serra da Peneda é propício à existência de grande lagartos ou sardões. Com um pouco de sorte eu acho que um dia, o Grão Sardão, fará jus à célebre Portela dos Lagartos!

Acredito que este seu parente morreu de hipotermia e não afogado! A água não é muita e escorre por entre as pedras, mas o frio nocturno sim e ele não terá tido oportunidade de se safar dali. Afinal, ele apareceu na Primavera para apanhar banhos de sol e não fazer natação!

Este seu parente, terá caído à água que desce da cascata da Meadinha e passa por baixo do Hotel e por baixo do terreiro da Peneda, frente à igrela. Há um local à saída do Hotel que é aberto, mas depois passa por baixo do terreiro. Foi nessa abertura que nós o vimos de papo para o ar e metia pena ao sabermos que ainda teria tanta vida pela frente!

Ele ter-se-á metido em bolandas e, como a água é gelada, terá morrido de hipotermia. Por aqui devemos acreditar que tal como os homens, nem todos os lagartos têm sorte.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Branda da Aveleira


Nos montes, em redor da Branda da Aveleira, existe um dos paraísos dos garranos. Por ali, diz-me o Ventor, eles têm nichos de fetos altos, de urzes, de arbustos, de algumas espécies, de árvores várias e, fundamentalmente, muito comer e muita água.


 


Tal como nos belos montes da Tessália, por aqui também  há Bucéfalos


Como já vos contei por aqui, algumas histórias que o Ventor me contou, na Grécia Antiga, no tempo do seu amigo Alexandre Magno, havia nos montes da Tessália e nas suas florestas, belíssimos cavalos e, foi no seio desses cavalos que foi encontrado o célebre Bucéfalo.


Bucéfalo e outros!


Todos os cavalos de Alexandre Magno terão nascido e sido criados na Tessália e, como devem calcular, Alexandre não dispunha apenas do Bucéfalo para travar as suas batalhas. Ele, segundo me contou o Ventor, chegou a ter 13 cavalos prontos para o combate mas, ele e o Bucéfalo (o mais guerreiro de todos os seus cavalos) formavam, de facto, um verdadeiro corpo de combate!


O Ventor chegou a dizer-lhe, meio a brincar, meio a sério que, melhores cavalos que os dos montes da Tessália, só, de facto, os que haviam nos montes que mais tarde, ele viria a chamar de suas Montanhas Lindas.



Os garranos, sempre foram e continuam a ser, belos companheiros de algumas das mais lindas caminhadas do ventor


Nas suas caminhadas pelos picos das serras de Soajo e da Peneda, na companhia da bela Diana, eles chegavam a montar os garranos e correr todos os vales e montanhas, entre ursos, javalis, corsas, lobos, ... e o Ventor, pelas suas caminhadas de milénios, nunca esqueceu aqueles perfumes.



Lá em cima, vê-se o muro direito do Fojo do Lobo que desce da zona da fonte das Forcadas para o buraco. Foi um pouco afastado da ponta desse muro que o Ventor, ainda "catraio" enfrentou, de vara na mão, uma loba que chegou a pensar saltaria sobre ele para se dirigir para a Brusca. Quando pela segunda vez a loba tentava forçar a passagem, foi o tiro com um canhangulo de carregar pela boca do ti Zé Ribeiro, que a fez abandonar os seus intentos, pensa o Ventor, iniciando a sua corrida para a morte 


 Nesses tempos, os vales e os montes que hoje formam as Montanhas Lindas do Ventor, os garranos selvagens, enfrentavam poderosos lobos em alcateias e os poderosos ursos que, então, por lá caminhavam.


Hoje tudo é diferente, mas o Ventor continua, como sempre, com ou sem a companhia de Diana, a caminhar entre os garranos, selvagens, semi-selvagens ou domésticos e, tal como sempre, neste mês de Julho de 2009, o Ventor caminhou entre os garranos pelas meias encostas das suas Montanhas Lindas e, tal como na velha Tessália, eles nascem, vivem e morrem nos seus grupos.



O Ventor, ainda hoje vive a euforia de outros tempos quando se depara com os garranos que continuam a ser belos "habitantes" do Parque Nacional da Peneda-Gerês


O Ventor diz-me que, hoje, os lobos não atormentarão muito os garranos, mas antigamente, as grandes alcateias de então, faziam dos garranos a sua melhor fonte de subsistência. Eles isolavam os velhotes ou as crias, montavam o cerco e, quando cansados, feriam-nos de morte.


Era assim onde hoje fica a Branda da Aveleira, era assim por Lamas de Mouro, era assim no monte Gião, era assim nos picos altos das suas Montanhas Lindas. Mas hoje, quase não há lobos, ou há poucos ou nenhuns. Hoje as crias dos garranos não correrão grandes perigos.



Eles, novos ou velhos, são belos companheiros se os deixarem em paz


Mas vejam como os garranos são lindos por estes lados da Aveleira ou pelos montes da Gave ou de Cavenca. Por aqui existe um grande "principado" de garranos, nas serras da Peneda e Soajo. É um prazer observar o amor das famílias e dos grupos.


No grupo, através dos séculos, terá sido sempre usada a máxima utilizada pelos Três Mosqueteiros. " Um por Todos e Todos por Um"!


Se calhar foram os garranos que indicaram a moda aos Mosqueteiros de Luis XIII!


Lembram-se do Dartagnan e dos Mosqueteiros do Luis francês? Eu acho que, se eles não aprenderam com os garranos, terão aprendido com os burros da Gascogne!



Também, hoje, não correm os grandes perigos de outrora, quando eram ameaçados por lobos famintos. Hoje, o seu maior perigo, são animais mais irracionais que os lobos que chegam a matá-los a tiro, em plena estrada, como foi noticiado nos Media


O Ventor disse-me que, quem desce da Pedrada, pelo Curral do Pai (descida moderada), vai observando toda aquele área plana, à sua frente, a que chamaram de Seida. Atravessando toda a Seida, começamos a descer (descida mais acentuada), rumo à Branda da Aveleira e veremos à nossa frente, no lado oposto, os montes que se elevam acima da Branda da Aveleira, onde passa a estrada para a Gave e Cavenca e ... por diante, montes opostos à Seida e à Pedrada.



Aí têm a jóia da coroa do Ventor - a Pedrada! Na zona baixa da esquerda fica a Fonte das Forcadas, uma nascente de água pura, a nascente mais alta da serra de Soajo. Entre este primeiro monte (a descida para a Branda da Aveleira) e a corga das Forcadas que passa ao fundo do Curral do Pai, aquela zona inferior da Pedrada, fica a Seida, escondida dos nossos olhos e quem não a conhece, não imagina, pela foto, a sua grandeza


Em toda esta bela região, vivem em liberdade, as vacas e crias, os garranos e crias mas, rumando de S. Bento do Cando para S. António de Vale dos Poldros, Gave e Cavenca, observamos (diz o Ventor), à nossa esquerda, grupos de garranos em pleno paraíso. Por ali existem árvores, como existiam na Tessália, onde os cavalos e as vacas se escondem do calor e das moscas. Era assim, em locais frescos, que o Ventor gostava de dormir a sesta com as suas vacas e, ainda hoje, em cada caminhada que faz, vê passar esses recantos pelo seu cérebro, tal como se tivesse visto um filme que jamais esqueceu.


 


Estes montes são o oposto à Pedrada. Depois de descer da Seida para a Branda da Aveleira, recomeçamos a subida, metro a metro, até atingirmos os montes entre a Aveleira e a Gave


Nem imaginam os filmes que ele tem presentes no seu sótão!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os Gaios e o Ventor

Hoje o Ventor voltou a falar-me de gaios e a relembrar-me o seu amigo de Lamas de Mouro.



Vejam lá como esta coisinha é linda! Ficou todo contente ao dar de caras com o Ventor


Na 2ª feira da semana passada, a avó do Tomás chamou o Ventor para vir aqui ao meu miradouro observar dois pássaros muito bonitos, nas árvores em frente. O Ventor veio a correr e disse que os pássaros lindos eram dois gaios. Esses gaios disseram ao Ventor que tiveram conhecimento, pelo Senhor da Esfera, que ele iria fazer algumas caminhadas  ou rondas, pelas suas Montanhas Lindas e, então, decidiram vir cá para entregar uma mensagem ao Ventor, dos amigos do Sul para ele levar aos amigos do Norte.



Depois firmou-se bem a observar os companheiros de caminhada do Ventor e o grande olho que o Ventor lhe apontava


O Ventor recebeu a mensagem e foi a correr buscar a máquina mas passou uma pessoa e eles fugiram, gritando para mim que não podiam confiar em ninguém e disseram-me: "diz ao Ventor, Quico, que nós fomos indo"!


Nesse dia, o Ventor foi para Norte e disse-me para dizer a estes amigos, se passassem por aqui, que entregaria a mensagem deles a um amigo que ele tem em Lamas de Mouro, desde 2006.


E querem saber uma coisa? Esse amigo de Lamas de Mouro recebeu a mensagem e posou para o Ventor enquanto preparava a resposta noutra mensagem para os amigos do Sul.



Claro que o Ventor tirava fotos e lia-lhe a mensagem dos gaios "mouros" do sul


Se repararem bem, verão que o amigo de Lamas de Mouro nunca tirou os olhos do Ventor e dos seus companheiros de caminhada.


Sempre que o Ventor disparava a máquina ele tinha os olhos apontados para eles. Claro que a máquina estava no módulo silêncioso e não faz barulho nenhum mas, mesmo assim, ele não desviava o olhar. Outros observavam das árvores.


Eu já vos tenho dito, por aqui, que os gaios são dos tais companheiros que o Ventor nunca esquece. E, também, por isso, quando o Ventor os reencontrou por aqui, recordaram-lhe que, com eles, o Planeta Azul continua a exibir a sua beleza. Por isso, em 2005, o Ventor ia levar-lhes água!



Ele até dava pulinhos de contente à medida que o Ventor transmitia as saudações dos gaios da Amadora e arredores


Hoje de manhã, o Ventor foi para a varanda espreitar a nossa rapaziada como faz todos os dias e, às vezes, pega em mim ao colo e vamos espreitar os dois juntos. Estive a observar os gaios e reparei como eles são mesmo lindos e como controlam tudo com uma eficácia enorme.


Depois, como eles se mantinham por ali, olhando tudo, poisou-me no meu miradouro e foi buscar a máquina mas, quando chegou, um já tinha saído dali e o outro voou de uma árvore para o chão relvado mas as árvores à nossa frente não o deixavam ver para fotografar, impedindo mais uma bela foto do Ventor.



Pulava para lá e para cá dessa divisória, e todos os animais das redondezas se divertiam! O Ventor até viu um dos esquilos a dar cambalhotas na árvore e os chascos davam grandes gargalhadas. As vacas e os cavalos garranos olhavam estupefactos


Depois só ouvimos um dizer: "adeus  Ventor, até breve. Já vimos que o Quico gostou de nós e que vai ficar à nossa espera. Um dia destes voltaremos. Agora vamos levar a mensagem dos nossos amigos nortenhos,  ao nosso maralhal"!


Agora, mais estes amigos do Ventor passam a ser meus amigos também. E sabem o que me disseram?


Disseram-me que, quando os carvalhinhos que plantaram aqui no jardim, forem grandes e derem bolotas, eles voarão e caminharão por aqui mais vezes.



Por fim deu mais um pulinho e disse que ia levar a mensagem a todos aqueles que não ouviram o Ventor


Dantes, o Ventor falava-me nos gaios e lá me ia trazendo uma fotozinha mas, agora, tudo é diferente! Já sei o que o Ventor sente quando me diz: "Quico, hoje ouvi grasnar os gaios"!


São mesmo lindos estes pássaros e eu já calculo como a Assureira terá sido tão linda com eles a esvoaçarem entre os carvalhos!


Sabem que o gaio tem um voar rocambolesco, desengonçado, lento, e torna-se um alvo fácil para os seus predadores. O Ventor já safou dois gaios de serem apanhados por falcões ou açores, ou ... O Ventor disse-me que, para tentar caçar gaios nas árvores, seriam açores ou outro tipo de rapaces com vantagem neste tipo de caça.



Virou-se e foi-se embora mas, antes, pediu ao Ventor para voltar a passar por lá para receber a mensagem deles que iria ser discutida em assembleia geral de todos osgaios que  esvoaçam  pelos vales daquelas Montanhas Lindas


Mas o Ventor diz que este ano viu muitos gaios, pela Galiza e pelas suas Montanhas Lindas e, por isso, pelos sítios por onde passou, observava, também, a beleza do Planeta Azul nas peninhas azuis que o gaios têm nas asas.

Adeus Amigos

Tive de partir. Agora deixo-vos sós com o Ventor. Que o Senhor da Esfera vos ajude a todos. A mim já me levou. Pedi ao Ventor para public...