terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tudo bem ...

  Ventor 08.12.09

... com as minhas caminhadas oníricas, na esfera paralela!

Eu sei que o Quico continua a ser parte integral das belas caminhadas da deusa Bastet.

 

Imagem da deusa Bastet tirada da minha amiga Wiki, da autoria de Guillaume Blanchard. A utilização deste ficheiro é regulada nos termos da licença Creative Commons - Atribuição - Partilha nos Mesmos Termos 1.0 Genérica

Não era por acaso que, durante milénios, nos encontrávamos no Portal do Egipto quando deixávamos de habitar sob o tecto de Apolo ou quando a ele regressávamos. Ainda não vos falei noutros portais que nos permitem entrar e sair do Planeta Azul sempre que nos deslocamos para a esfera paralela onde caminham os espíritos dos que partem. Um dos grandes portais é aquele que dá acesso ao Vallala de Odin. Por lá, nunca encontrei o Quico porque, por lá não caberia a deusa egípcia, companheira do Quico nas caminhadas terrestres.

Falarei por aqui, mais tarde das entradas e saídas das Valquírias na pesquisa de guerreiros que um dia defenderão o Grande Vallala.

Por agora, limito-me a falar dos meus sonhos que me continuam a pôr em contacto com o meu Quico que sei ter atingido níveis de perfeição inacreditáveis para quase todos os seres humanos.

Descobri que, em volta da nascente que é a minha Parnaso - as Fontes - concentram-se os que o Senhor da Esfera tem como sendo os bons espíritos que caminharam por bem neste meu (nosso) mundo.

Entre outros, o meu Quico, o Mago Merlin, toda a minha gente, duendes, ninfas, musas, ... todos eles fazem, comigo as nossas caminhadas oníricas, naquilo que eu achei, por bem, dar mais uma passada, chamando-lhe: Esfera Paralela. Existem todos esses espíritos que caminham entre os "deuses" e nos põem em contacto, uns com os outros, entre as Esferas.

Não é por acaso que o meu Quico está cada vez mais presente nas minhas caminhadas de sonhos a que passarei a chamar, as minhas caminhadas oníricas!

Pois foi! Desta vez, ele esteve comigo no local onde eu pensava sempre em enterrar o seu corpo, aquele corpo peludo que eu tanto acariciava, tanto afagava, tanto ... até posso mesmo dizer, adorava! Ali, observando o local, ele me disse que, em boa hora o levei para os montes que fizeram parte das mais belas das minhas caminhadas de sempre, talvez felizes porque eram caminhadas inocentes e, entretanto, acabou por me agradecer a luta na fronteira das Trevas e da Luz contra todos que se serviram de Marduk para provocar o Ventor.

Foi-me dando marradinhas e perguntou-me se, na realidade, não reconheci a espada que utilizei para cortar tanta cabeça!

Quando lhe disse que a encontrei dentro duma casa velha campestre, a primeira onde entrei depois de grande corrida, ele disse-me que foi o Merlin que partilhou o sonho comigo e foi a correr tentar obter o equipamento de combate de Sir Lancelot, mas não conseguiu e, então, conseguiu o equipamento de um templário e obteve do Rei Artur a espada Excalibur e a sua benção para a luta, recordando os tempos de Camelot.

O Merlin e o Rei Artur acreditaram que, o Ventor de todos os tempos, a Excalibur de tempos áureos e o espírito templário, seriam invencíveis no combate às forças das Trevas.

O Quico num dos seus momentos felizes

«Por mim, disse-me o Quico, sinto-me muito feliz por partilhar contigo os trilhos da Luz e continuar a caminhar a teu lado».

Ao ouvir isto, reparei à minha volta, e já não estava no mesmo local, mas sim a quilómetros, no Alto de Facuque, a observar tudo à minha volta, inclusivé as Fontes. Ali tudo era uma festa e no meio da festa, andava o Quico, de rabo no ar, entre todos aqueles amigos, onde, mesmo junto à nascente, se encontrava o Merlin, deitado de costas, com as pernas traçadas e sorridente a perguntar ao Quico.

«Então Quico, deixaste o Ventor para trás»!


Lince ibérico, em perigo de extinção

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Do Choupo para a Janela


«Olá, Maralhal»!! «Era assim que o Quico dizia».

O melro Tobias
«Para aqueles que já me conhecem um olá muito especial, para os outros que ainda não me conhecem, apenas vou ter de voltar a apresentar-me»: «eu sou o melro Tobias»!

«Voltei, mais uma vez, a conversar com o Ventor. Ele andou à minha procura e eu cá estou! E, agora, pedi ao Ventor para colocar nessa vossa janelinha a minha conversa com ele, mas ele achou que devia ser eu a dizer-vos o que penso. Por isso fiz um rascunho para o Ventor passar para vós».

«Pronto aí vai»!

«Como alguns de vós já sabeis, eu era muito amigo do Quico e, agora, continuo a ser amigo do Ventor mas tenho andado um pouco chateado e não tenho andado a esvoaçar aqui pelos choupos, junto à janela do Ventor. Como deixei de aparecer, o Ventor, um dia destes, andou por aí à minha procura e foi encontrar-me a esvoaçar de árvore em árvore, uma epécie de salgueiros, junto à água, onde, de vez em quando, apanhava uma minhoca. O Ventor pareceu-me um pouco triste e perguntou-me porque não apareço mais vezes, aqui pelos nossos choupos, para conversarmos.

Mas a vida de melro não é assim tão simples como à primeira vista possa parecer-vos! Têm andado por aqui alguns amigos meus, uns gaios que também são amigos do Ventor e tudo corria bem mas, depois, apareceram por aqui uma catrefa de estorninhos que nos deixaram sem reservas. Os gaios foram à procura de sobrevivência para outros sítios e os estorninhos partiram depois de limparem tudo. Eu tive de ir atrás mas, como devem calcular, nunca me poderei afastar para muito longe. Além disso, tenho por aqui muitos dos meus amigos alados. Os gaios prometeram-me que voltavam para darmos umas passeatas por aqui com os cisnes, os patos e as garças que também nos vão visitando e, também, para nos divertirmos com o Ventor.

No dia seguinte ao meu belo encontro com o Ventor, junto à ribeira, logo pela manhãzinha, eu vim saltitando pela relva, por entre as árvores e cheguei até junto da janela do Ventor. Ainda era muito cedo, mas lá o vi a deitar umas migalhas aos pombos, que eu também apanho sempre que posso e, depois, subi para a folhagem do choupo e tivemos uma grande conversa.

E quando estávamos entretidos na nossa conversa, tinham os patos reais acabado de acordar e preparavam-se para começarem a esticar as asas iniciando os seus exercícios matinais de aquecimeto.

De repente, quatro patos, numa grande algazarra, nos seus quás-quás, dão quatro voltas em redor e sempre com passagem baixa entre os choupos onde eu me encontrava e a janela do Ventor, a voarem mesmo junto da sua cabeça. Foi uma beleza para o Ventor e também para mim, observarmos aquela espécie de esquadrilha de Topoleves de penas. Depois uns amigos nossos, também patos reais, disseram-nos que aqueles amigos tinham chegado de muito longe, na véspera à noite e como vinham cansados, acabaram por passar a noite com eles e, logo de manhã, ei-los de partida à procura de novos mundos, certamente outros sítios paradisíacos e também outras encruzilhadas de novos perigos.

Talvez dentro de algum tempo, os gaios voltem, pois tiveram de partir para outros locais, que o Ventor bem conhece, para sobreviverem. Há por aí zonas ideais para eles. Zonas com árvores como alguns carvalhos, bastantes sobreiros, freixos e pinheiros entre outras árvores e com cascas velhas cheias de larvas, alem de bolotas, que transformam esse ambiente, numa área de protecção para essa malta.

Mas eu sei que todos eles vão regressar, porque todos eles, tal como eu, gostam muito de conversar com o Ventor e o Ventor connosco.

O Ventor colocou aqui algumas castanhas e nozes para os roedores como os esquilos que continuam lá por cima junto do Quico e eles acabarão por ver isto porque, todos nós sabemos que o Senhor da Esfera controla a Esfera com um Computador Global, o mesmo que faz tudo o que pode para que as esferinhas mais pequenas não choquem umas com as outras. A chatice é que o computador global do Senhor da Esfera, às vezes, tal como os computadores inventados pelos homens, também mete água!

Não sei se sabem que o Ventor também tem amigos Druidas. E também digo a todos os que não sabem que essa história da globalização é mesmo global! Os Druidas, nos tempos de antigamente, só viviam em florestas de carvalhos, tal como o Merlim, o mago do Rei Artur, do Ventor e de outros, que também era Druida. Agora, os espíritos dos Druidas e os doendes, vivem onde podem! Eles metem-se nas árvores que os conseguem recolher, como os tais carvalhos, os sobreiros, os pinheiros já velhos, os castanheiros de troncos retorcidos, os freixos ... sei lá! Dessas coisas o Ventor é que sabe. Mas, a verdade, é que os druidas também optaram pela GLOBALIZAÇÃO!

Eu até sei que a mensagem dos gaios informava o Ventor que o Merlin andava lá por cima com o Quico. E também sei que se dão todos bem, naquelas Montanhas Lindas. E, se não fosse tão longe, até eu gostaria de ir até lá, pois disse-me o Ventor que há lá, com o Quico, de tudo ... ou quase! Há esquilinhos, que vêm dos carvalhos da Assureira, até aos castanheiros e carvalhos que estão lá por perto do sítio do Quico. Já há por lá martas, fuinhas. Será que os texugos e outros também por lá continuem?

Depois, se o Ventor me deixar, eu continuarei a contar-vos coisas. Até um dia, Maralhal»!

 Lince ibérico, em perigo de extinção

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Castanhas para todos

   Ventor 11.11.09

Hoje, não tenho aqui o meu Quico para oferecer as «Castanhas para Todos».

Ele ficava todo contente quando eu dizia: "vamos oferecer os votos de muitas castanhas para todos os nossos amigos"?

Ele corria para a nossa janela, pois sabia do que se tratava!

Hoje, ele não corre, junto de mim, para a nossa janela, mas eu sei que ele estará por aqui a ver e partilhar da mesma vontade que eu. Desejar "castanhas para todos".

"Castanhas para Todos" - em nome do Quico.

O S. Martinho, em Soajo

Este ano, os nossos amigos Alex e Tina, voltaram a mandar-nos uma caixa com as célebres castanhas de Arouca. Só eu sei a festa que o Quico, no ano passado, fez ao "verme" que acompanhou as castanhas. O verme teve de fazer uma caminhada sempre tocado pela luvinha do Quico, até eu o apanhar e o enviar para o jardim. O Quico ainda me disse: "ele não tem sobretudo, vai morrer"!

E eu, ripostei que sempre haveria o S. Martinho, para dividir a capa com ele. Mas, este ano, se o Quico continuasse por aqui, a desejar muitas castanhas para todos, tenho a certeza que ficaria encantado com os vários vermes que as castanhas nos trouxeram.

Logo ao abrir a caixa, ainda procurando cortar as fitas com uma tesoura, comecei por ouvir logo uma pergunata: "Olá! Tu é que és o Ventor"?

Sim, porquê?

"Sou eu o sentinela que guarda o acesso à caixa. Se não és o Ventor, podes desandar pois eu não voltarei a perguntar, quem vem lá"!

Mas que raio fazes aqui? Como chegaste de tão longe e por fora da caixa?

"Já disse que sou o sentinela e olha que esta caixa, além de transportar e proteger as castanhas de maus olhos, serve de bunker para a minha rapaziada. Esta caixa é intransponível sem a nossa vontade de colaborar. Se tu és o Ventor, tenho informações que vais ficar com pele de galinha para nos ameaçares".

Fico com pele de galinha, mas não é frente a carecas como vocês! Se fosses peludo já a caixa tinha voado pelo chão fora e tu nem saberias o que te iria esperar. Mas já que apareces armado em pimpão ...

"Não digas que nos vais fazer mal! Temos informação de que o Quico é nosso defensor e que o Ventor, mesmo com pele de galinha, não nos faria mal e, ..."

Pois não! Estava só a fazer-te medir as asneiras e a tentar que fosses cauteloso mas, não contes com a ajuda do Quico, pois o Senhor da Esfera levou-mo e escusas de te escudar com ele.

Ele ficou no chão do hall a conversar comigo e eu fui penetrando no "Bunker". Lá estavam os seus companheiros de caminhada, uns quantos, prontos para defender o "Bunker" mas, já sem agressividade pois tinham ouvido a conversa entre eu e o sentinela.

Vinham todos contentes a julgar que o Quico iria, juntamente comigo, receber as castanhas e começaria logo a sua oferta de "Castanhas para Todos"!

Tiramos as castanhas para uma cesta, esta ...

Castanhas de Arouca

E todos ficaram muito tristes ao saberem que, desta vez, o Quico não estaria para receber as castanhas como gostava.

Depois a Dona do Quico, fez como ele nos pediria. "Como não podemos fazer nada por eles deita-os para o jardim. Talvez ainda tenham tempo de sobreviver ou enviar um telegrama a contar como decorreu a operação"!

Mas, imaginem que não sou eu! Que é o Quico a, tal como em alguns dos outros anos, a desjar, para todos vós, muitas castanhas!

Ele dizia-me sempre que temos de partilhar a festa de S. Martinho! Só que, agora, o Quico e o S. Martinho estão mais perto um do outro.

Como será do conhecimento de alguns, S. Martinho é o patrono da "velha, nova" Vila de Soajo. O Quico no meio das minhas Montanhas Lindas e S. Martinho ao lado dos espigueiros de Soajo, junto à porta da Igreja, encontrar-se-ão, certamente, pelo menos durante esta época de castanhas e água-pé. E comerão castanhas e beberão água-pé, juntos, desejando saúde a nós todos. Quem sabe não andam os dois a apanhar castanhas no Mezio! Cuidem-se adegas de Soajo e arredores!

Mas eu, este ano, não vou ter água-pé! Já decidi. Ando com o pescoço torto e não dá para ir à água-pé. Passei ontem, a pé, à porta da Tasca da Dona Rita e lá estava o letreiro: "temos a melhor água-pé da Amadora"! Mas não trouxe!

Se me apetecer declarar uma guerrinha aos medicamentos, pois um dia não são dias, então, iremos acompanhar as castantas com vinho verde!

Castanhas assadas

Para todos vós, em memória do meu Quico, da Dona do meu Quico e meu, os votos de que todos vós, com muitas castanhas, acompanhem o S. Martinho ... no zumba na caneca! Mas cuidado!

Um bom S. Martinho para todos, com muitas castanhas e água-pé e especialmente para o Alex e a Tina pela amabilidade de nos terem enviado as castanhas de Arouca.


Lince ibérico, em perigo de extinção

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Nos Trilhos do Quico

  Ventor 05.11.09

Caminhar nos trilhos do Quico é o que me resta dele e resta-me a tristeza de não o ver nos seus miradouros, a meu lado, a apreciar os nossos amigos, comigo.

Mas tive, em compensação, a companhia do João para apreciar estes belos animais, mesmo aqui, frente aos nossos olhos. É lindo ver como a inocência consegue avaliar a presença dos nossos companheiros de caminhada. O Quico levantava as orelhas e concentrava toda a sua visão ... o João abre bem os olhos e vai olhando de lado para mim para tentar saber ou entender o que pensarei daquelas suas novidades. O Quico também assim fazia! Observava o alvo e depois olhava-me a tentar descortinar o que eu estaria a pensar.

A vida deles é um rodopio na procura das ervas e, ....

... o pequenino, coloca a sua cabeça sempre junto da cabeça da mãe para aprender a comer do que ela come.

Mas para mim, o pior, é de manhã, quando me levanto. Falta-me o meu amigo!

Espreito para apreciar a bela bicharada, na nossa vizinhança, e vejo sempre coisas novas! Por entre os choupos, tal como o Quico fazia, eu vou observando tudo o que posso, mas as árvores são uma grande barreira.

Olhando o relvado, mesmo antes das luzes do jardim se apagarem, lá vejo o Tobias a sacar mais uma minhoca e, já por três dias seguidos, logo de manhãzinha, com um novo amigo. Um amigo lindo e muito especial! Vou-lhe chamar o Tricas!

O Tricas é um gaio. Um gaio lindo! Disse-me o Tobias que ele é o "correio"! O último elo do "correio" dos gaios das minhas Montanhas Lindas!

"Olha, Ventor" - disse-me o Tobias - "os gaios organizaram uma grande estafeta para nos trazerem notícias das tuas Montanhas Lindas. Eles, os que estão por lá, enviam as notícias. Um faz um grande voo, sobre a tua Assureira, desce o rio Adrão até ao rio Lima e passa a sua mensagem a outros que descem o rio Lima, até à sua belíssima foz, em Viana do Castelo, depois, a outro e a outro e assim por diante que se vão dirigindo junto à costa, sobre campos, florestas e bosques, até aqui".

"Agora eu traduzo o seu grasnar e passo-te a mensagem. Todos os animais das tuas Montanhas Lindas permanecem junto do Quico. Os gaios nunca o abandonam, bem como todos os outros. Gaios, pombos bravos, rolas, coelhos, raposas, lobos, lagartos, lagartixas... Todos"!

Este "pintinhas" é um dos muitos companheiros do Quico

Eles, em grupos, descem à água, numa revoada de voo alegre e vão banhar-se. Até parece que neste mundo, tudo lhes corre bem. Eu tirei algumas fotos mas, devido à distância e à sombra dos choupos frondosos, não ficam com o mínimo de dignidade para apresentar aqui.

Este menino, é o correio do arranque no Norte, nas minhas Montanhas Lindas

O Tricas que anda por aqui, ao lado do Tobias, é semelhante, mas só o vejo muito cedo e não consigo fotografá-lo, por ser ainda quase escuro e por ter de fazer projectar a máquina por entre as ramadas dos choupos. Depois as pessoas passam e ele já não acredita em ninguém. O Tobias diz-me que ele só recorda a mensagem que o Quico deixou a todos os gaios. «Nunca acreditem em ninguém, acreditem só no Ventor»!

Um gatinho lindo! Mas, a vida, não lhe terá sorrido

Este menino, semelhante ao Quico, foi encontrado abandonado. Ele, quando vê a Dona do Quico desfaz-se todo em meiguices. Porém, eu sei que nem todos os gatos e cães são abandonados. Muitas vezes, eles, à primeira oportunidade, por mil e uma razões, dão de frosques. Todos os animais prezam, acima de tudo, a sua liberdade! E, de maneira geral, nós, para eles, não passamos de uns intrometidos. Damos-lhe de comer, fazêmo-lhes festas mas, isso não chega. Eu, por exemplo, nunca gostaria que me metessem numa bela sala, me dessem belas pratadas, me permitissem a ida à piscina, ... Podem crer que, à primeira oportunidade, eu procuraria ver os raios do meu amigo Apolo penetrar por entre as folhagens verdes dos carvalhos, dos castanheiros, dos choupos ... de tudo que me levasse a acreditar que a liberdade estaria sempre em primeiro lugar.


Lince ibérico, em perigo de extinção

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Companheiros da Amizade

  Ventor 06.10.09

São isso mesmo.

São, de facto, os nossos grandes amigos.

São incomparáveis!

São tão diferentes de nós!

São os companheiros da amizade!

Eles, todos os seres vivos que caminham a nosso lado, são instintivos, são companheiros, são camaradas, e são muito melhor que nós!

Eles não fabricam armas para matar os seus companheiros de caminhada! Podem, instintivamente, em sua defesa ou em defesa do seu espaço, da sua sobrevivência, tomar a atitude instintiva de defesa da sua vida. Mas são limpos na luta! Não fabricam armas!

E, até morrem por nós!

Foi o que aconteceu ao Gaspar, este belo animal.

Eras tão lindo, Gaspar, e tão feliz! Todos vamos ficar com saudades tuas e nunca te esqueceremos

Insistiu em acompanhar os donos. Eles levaram-no para trás e prenderam-no, para ficar sossegado, até à sua chegada.

Mas o Gaspar era um cão e queria mais. Queria acompanhar os donos que o adoravam e ele a eles. Forçou o sistema de prisão e deu-lhe para tomar uma atitude diferente. Ir atrás deles!

(O Quico era o contrário! Se lhe cheirava que eu o levaria para qualquer lado, procurava um lugar seguro. Bastava eu dizer: "onde está o gato"? Ele ouvia e sumia!).

Por isso, o Gaspar pensou: "Se o carro foi por ali, se vai sempre por ali, será lógico que, se eu for por ali, vou encontrá-los. Quando vou com eles, também é por ali que eu vou"!

Mas, o que o Gaspar não sabia era que este mundo já não é para eles. É apenas para o homem! Fazem-se as grandes estradas e os grandes bólides e já nada é como no tempo em que os animais se safavam instintivamente de outras ciladas.

Por isso, desta vez, tudo correu mal ao Gaspar.

Um dia, encontrei um cão, um cão perdigueiro, preso junto do galinheiro, ao lado das suas companheiras de todos os dias - galinhas. Ele estava preso e não passaria de um objecto a que davam de comer!

Não sei se o Gaspar era ou não mal tratado, mas sei que não era um cão feliz, quando estava aprisionado.

A sua amiga que chegava de Lisboa para ver as obras do seu novo mundo, Lugar ao Sol, não gostava nada de ver o Gaspar aprisionado. Via-o junto das galinhas e ia lá fazer-lhe festas. Um dia atreveu-se a pedir aos seus donos que lhe dessem o Gaspar. Afinal ele não lhes servia para nada!

Conversa daqui, conversa dali, eles vendiam-lhe o Gaspar, mas ela disse-lhes que o amor não se compra nem se vende! Eles, aqueles novos vizinhos, resolveram oferecer-lhes o Gaspar! Então, o Gaspar passou a ter um tratamento VIP!

A Dona do Gaspar e o Gaspar acreditam que a amizade nunca morre

Um dia, fiquei a saber que o Gaspar iria ter novos donos. Cheguei lá e lá estava tudo para o Gaspar! A sua casota nova, um autêntico palácio! Duas divisões! De uma lado para comer e beber, do outro, para dormir e descansar, de dia porque, de noite, ficava em casa com os seus donos, os seus amigos.

Mas o Gaspar, para além da sua casota nova, passou a ser tratado como um Príncipe! Ele fazia parte das coisas mais lindas que os seus donos tinham! Ele passou a ser o guardião de seus donos, do novo Rafinho branco, das Chinchilas, dos gatos e especialmente do Gil, dos Bicos de Lacre, das tartarugas e de todos que entravam no Lugar do Sol!

Sempre que eu lá ia, havia uma conversa entre eu e o Gaspar. Mas, o Gaspar não conseguia adaptar-se à minha presença. Há quarta vez senti que ele estava diferente e mais uma vez, eu e o Gaspar, caminhamos sobre o muro em volta da casa, conversando.

O Gaspar deixou-me fazer festas na sua cabeça e pediu-me para não chorar tanto pelo meu Quico.

Ele gostava muito do Gil e disse-me que ainda viríamos a ser grandes amigos mas, agora, os seus donos eram a sua prioridade!

Ele, no sábado, 3 de Outubro, pela noite dentro, deu voltas ao meu carro, despedindo-se com carinho. Mas ontem, dia 4 de Outubro, dia de S. Francisco, o Gaspar, escolheu mal a sua caminhada! Ele partiu atrás dos seus donos, mas o azar acompanhou-o. Atropelado com a coluna partida, foi levado para o Veterinário, onde ainda lambeu as mãos aos seus donos, pela última vez, e morreu!

Já não me chegava chorar pelo meu Quico e não consigo deixar de chorar pelo Gaspar e pelos seus donos, pois tenho a certeza que se adoravam e agora também vivem na tristeza.

Eles, agora, só têm o palácio do Gaspar, as camas do Gaspar, tudo que era dele e, até um roupão azul lhe tinham comprado. Quando o Gaspar tomava banho, já tinha um roupão para vestir!

Estava aqui, ao telefone, a falar com o meu amigo Luis, em Paris, a falarmos dos nossos tempos pelas nossas Montanhas Lindas e o Gaspar estava a morrer atropelado quando caminhava por uma estrada, trepando à procura de seus novos donos.

Descansa em paz, Gaspar. Quem me dera que tu e o meu Quico ficassem juntos um do outro. Vou pedir a S. Francisco.


Lince ibérico, em perigo de extinção

Quico

  O Quico continua a observar-nos Ele era o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ...