quinta-feira, 28 de abril de 2005

As maravilhas continuam

O Ventor aproxima-se e eles pedem papinha. Eu também pedia quando era pequeninho e os grandes não me deixavam comer quando o Ventor me dava. Mas estes vivem no seu mundo e diz o Ventor que têm pais, mas eu não tinha. Tiraram-me os meus pais! Ou tiraram-me aos meus pais, não sei. Só que o Ventor ajuda os pais dos melrinhos a fazerem pela vida!


Abr,27-melrinhos.jpg


Melrinhos a tentarem sobreviver


E estes pequeninhos, os pintinhas!? O Ventor ainda não sabe como se chamam, mas diz que há-de saber. Mas são lindos, não são? Ele diz que são pintinhas. Aquilo é uma Babel de pássaros! Cada um tem a sua língua, mas o Ventor diz que quando chega todos se avisam uns aos outros e quando vêm que é o Ventor tudo acalma.


Abr,27-pintinhas.jpg


A beleza dos pintinhas


Será que este ovinho, dos cinco que existiam, não vai dar vida? O Ventor diz que vai saber e depois acaba a maratona dos "pitinhos". Mas irá levando comer para ajudar! Darei notícias deste Maralhal!

terça-feira, 26 de abril de 2005

Uma beleza

Um dia destes, 21 de Abril, o Ventor, descobriu o ninho dos ovinhos pequenos. Não sabe se são de pintassilgo, ou que tipo de pintassilgo, pintassilgo verde, lugre ... mas são iguais. No dia 22 de Abril apanhou mais estes ovinhos de melro, os grandes amigos do Ventor.


 Abr,22-ovmelro.jpg


Ninho de melro com três ovos  


Hoje o Ventor voltou lá e apanhou os filhotes dos seus amigos de bico aberto, mas a fotografia, a única que tirou, só os apanhou deitadinhos porque quando eles abriram o bico e o Ventor ia disparar a bateria pifou! Azar!!!! Olhem que lindos!


 Abr,26-melrinhos.JPG


Os melrinhos filhotes de uns amigos do Ventor   


Agora o Ventor diz que vai ajudar os papás destas belezas a criar os pequeninhos com algumas coisas que ele sabe que gostam. Com esta amizade do Ventor por todos estes bichos, já estou a ficar com ciúmes!

domingo, 24 de abril de 2005

A Kindy Cat

Pois é amigos. O Nico e a Anabela acham que encontraram um tesouro. Talvez! Talvez ela tenha a mesma sorte que eu tive. Quem sabe? Mas eu não gosto dela!!! É uma gata chata! Chegou cá a casa e nem me deixou comer as amêndoas com o Ventor! Foi logo assenhorar-se das minhas coisas. Foi ao meu comer, até parecia que não comia há um milénio! Foi à minha casa de banho e deixou-a a cheirar mal e depois ainda se queria deitar na minha cama! Não podia ser, pois não?


Bom, mas a verdade é que ela está toda encantada com a nova família e está farta de chegar cá a casa e ainda refila comigo! Vai logo corrida! Mas coitadinha, ela estava grávida! Foi mais uma que foi abandonada ou ter-se-á perdido? Nunca chegaremos a saber. Coitadinha da Kindy! Agora com estes filhotes todos!


kindy.bmp


O Nico diz que ela é pequeninha porque está habituado a ver esta visarma chamada Quico! Eh! Eh! Eh! .. já não se pode ser grande! Vejam o que o novo dono diz dela em baixo!


Este espaço é dedicado à gata que carinhosamente recolhi da rua no domingo de Páscoa. De entre os vários bichos abandonados na rua, qual foi a razão que me fez carregar mais esta responsabilidade? Bem, não pude deixar de ficar triste ao ver uma gata a atravessar uma estrada cheia de trânsito, na sua inocência de que aqueles carros não poderiam fazer-lhe mal.


 A verdade é que o carro que circulava à minha frente por pouco não a atropelou e a gata sem qualquer receio nem se retraiu ou fugiu do perigo eminente, a pobre criatura não sabia o perigo que estava a enfrentar. Neste cenário, e receoso por aquilo que viria a acontecer, a sua adopção, acabei por parar e a Anabela saiu porta fora atrás da pobre criatura. Assim que a Anabela esticou os braços, a gata como que a conhecesse, saltou-lhe para os braços.


Tão pequena que ela era, na nossa presunção, seria uma gata de meses. Em homenagem ao dia que estávamos a celebrar, chamamos-lhe Páscoa, mas não pareceu ser um nome muito facil de utilizar, tentamos Pascal, mas ainda faltava alguma coisa. Acabou por ficar Kindy. A Razão? Muito simples a gata vinha prenha, logo era tipo um ovo da Páscoa, tal e qual os ovos Kinder. Assim ficou a Kindy Cat, a nossa nova mascote de estimação.

sábado, 23 de abril de 2005

As amiguinhas do céu

Hoje vou fala-vos das nossas amiguinhas dos céus! É assim que o Ventor lhes chama e eu acho-lhes muita piada!


Abr,22 125.jpg


Andorinhas


Elas, as andorinhas, embelezam os céus de Portugal! Há dias, o Ventor chegou aqui a gritar para mim que viu uma amiguinha do céu - a primeira, em 2005! Foi na serra da Mira, em 17 de Março de 2005. Agora eu vejo-as todos os dias. Basta ir às varandas! De um lado vejo as amiguinhas do céu e do outro a mesma coisa. Só que, de um lado, duas amiguinhas do céu estão a fazer a sua casota por baixo da varanda ao lado da nossa! Então o Ventor diz que os machos são mais calões. Assim como ele e como eu!


O macho arma-se em arquitecto e imagina-se a ver a planta para a sua nova moradia, enquanto a fêmea vai buscar a matéria-prima para a construção. Depois o macho tem vergonha e lá vai também! Elas são muito lindas a voar e eu só me apetecia agarrar uma com estas patarronas e dar-lhes muitos beijinhos ou, se preferirem, lambusadelas de gato! Mas a visavó da Joana contou-nos uma história a mim e ao Ventor.


Diz que quando era pequena o Sr Alves, um homem que já não existe, tinha uma taberna perto da casa dos pais dela. Nessa tasca, os homens iam beber uns copos e petiscar algumas coisas e quando vinha a Primavera, as andorinhas, as tais amiguinhas do céu de que o Ventor nos fala, vinham das suas longas viagens e aterravam na sua tasca. Entravam pela tasca dentro, no meio das pessoas e começavam logo, apesar do cansaço da viagem, a construção da sua mansão de Primavera e Verão.


andorinha.bmp


Vejam como esta andorinha é linda


O Senhor Alves gostava tanto das andorinhas, devia ser como o Ventor e como eu, e não se importava nada que elas construíssem as suas mansões nas esquinas do tecto, que era bem alto. Mas o engraçado não era só as andorinhas construírem as suas casotas no meio das pessoas, era elas dormirem lá dentro quando à noite a tasca fechava a porta e de manhã, ao romper do dia, começavam a gritar pelo Sr. Alves para ele abrir a porta, pois precisavam de recomeçar o trabalho e quando mais tarde tinham os filhotes, precisavam de ir buscar comer para eles.


Era uma azáfama para elas e para o Senhor Alves que tinha de limpar tudo. Logo de manhã as andorinhas começavam a gritar: "Ó Alves, abre a porta, temos de sair que se faz tarde"! E à noite o Alves não gostava nada que elas estivessem sempre a pedir-lhe para apagar a luz do candeeiro a petróleo e para fechar a porta. Mas o Senhor Alves gostava muito delas e durante anos foi assim. Iam e vinham, geração após geração. Os filhos aprendiam com os pais e voltavam sempre. E todos os anos os clientes também se habituaram ao bulício das andorinhas e gostavam, até que um dia tudo acabou. O senhor Alves morreu, a tasca acabou, os filhos do Senhor Alves trataram de vida cada qual por seu lado e as andorinhas tiveram que ir arranjar outros sítios para continuarem as suas vidas.


Abr,22 176.jpg


Agora, muitas habitam o Palácio de Queluz, o local onde o Ventor casou, há muitos anos, quando as suas ascendentes estavam já de abalada. Diz o Ventor que elas, as descendentes das gerações passadas ainda devem andar por aí. Eu acredito no Ventor porque ele estudou as migrações das andorinhas e fixou algo de muito provável. Diz o Ventor que as andorinhas voam entre a Europa e a África a Sul, bem lá para os confins da África. Elas têm de atravessar os desertos, como o Saará e muitas que partem daqui não chegam ao seu destino e as que chegam, quando tentam voltar cá, também não. Muitas morrem de sede e de cansaço ou são apanhadas por predadores!


Mas nesse estudo, diz o Ventor, que os especialistas chegaram a uma conclusão muito interessante. As andorinhas têm dois trilhos predominantes entre a Europa e a África e vice-versa! As andorinhas que escolhem Portugal vêm de Moçambique e as que escolhem a Inglaterra vêm da África do Sul. Segundo consta, elas seguiam os barcos que caminhavam entre esses países e através dos séculos ganharam hábitos. Esses hábitos ter-se-ão tornado para elas uma rotina de vida.


Mas agora, depois da minha história não acham que chegou a altura de não prejudicarem mais as andorinhas? As pessoas não gostam que as andorinhas façam os ninhos nos tectos das suas varandas, porque acham ser uma porcaria e trazem piolhos e tudo isso. Mas hoje, não há piolhos que resistam ao modernismo e com um pouco de vontade cabemos todos na varanda. As nossas varandas são fechadas, mas o Ventor diz que se as andorinhas quisessem fazer a sua mansão nas suas esquinas caberíamos todos e eu garanto-vos que também deixava! Protejam as andorinhas. Elas são tão lindas! E são muito úteis a comer biliões dos nossos inimigos - mosquitos.

quinta-feira, 21 de abril de 2005

Os bichos do Ventor

O Ventor pensa que esta vespa, que dará três de uma vespa daquelas normais que estamos habituados a ver, foi a que saíu do buraco que viu o outro dia. Voou à sua volta e o Ventor tirou-lhe duas fotos, mas esqueceu-se dela depressa.


 Abr,21 032.jpg 


Uma vespa gigante!


E sabem porquê? O Ventor junto de um pequeno pinheiro, entretido com a vespa, viu um ninho e recordou-se dos seus belos tempos de menino. Deixou a vespa que não o largava, partindo ela toda chateada por o Ventor não lhe ligar. O Ventor olhou o pinheirito e o ninho nele instalado e foi verificar se a casota dos seus amigos estava para venda, se estava em ruínas ou se era actual. E era actual! Tão actual que tinha cinco ovinhos! Olhem para isto!


Abr,21 036.jpg


 Um belo ninho de pintassilgo com cinco ovinhos


Bela moradia com futuro. Será? A casinha estava bem arranjada e era nova, mas o Ventor só lhe tirou a foto depois de se certificar que não estava por ali nada de pássaros e não utilizou o flash para não prejudicar os ovos e o seu conteúdo. Agora só falta saber qual o tipo de pássaros que fizeram aquela bela vivenda, embora lhe pareça que são pintassilgos. Espero que tenham êxito na sua nova moradia pois o Ventor pensa que eles não foram nada cautelosos com o local onde decidiram construir. Pode ser que tenham sorte.

terça-feira, 19 de abril de 2005

A Coruja e a Superstição

Quando o Ventor era miúdo, nunca tinha visto uma coruja mas já ouvia falar delas e, fundamentalmente, quando o seu pio característico colocava a sua aldeia natal de orelhas inclinadas para o som, fossem elas pequeninas, fossem elas grandes pavilhões como as do mister Spock do Star Trek.


Depois, as pessoas mais velhas, fossem homens ou mulheres diziam: «ai, não gosto nada de ouvir aquela coruja»! E davam as suas explicações. Fulano estava doente, beltrano estava a morrer e sicrana a mesma coisa. «Qual deles estava na chamada»?!  


Dizia-se, então, que quando algum velho se preparava para prestar contas ao Senhor da Esfera, a coruja aparecia para dar «novas da sua partida». Fosse verdade ou não, diz o Ventor que a coruja piava e logo num ponto da aldeia começavam os choros dos que ficavam por aquele que partia. Mas o Ventor também diz que se recorda dos pios das corujas, sem que alguém tivesse morrido!


Para o Ventor esta questão do pio da coruja coincidir com a morte de alguém devia-se apenas e só, a pura coincidência da vida real das pessoas e das corujas que tinham necessidade de comunicarem umas com as outras, cantar ou até, quem sabe, chorar.


Fosse qual fosse a razão, as pessoas só se preocupavam com o pio da coruja quando alguém estava para morrer, caso contrário, não ligavam importância. Agora que na 5ª feira passada o Ventor ficou muito preocupado com uma coruja, ficou! Eu sei reconhecer as preocupações das pessoas e não é por acaso que, quando isso acontece, eu também fico preocupado e vou dar-lhe uns beijinhos de gato.


O Ventor foi ver um familiar ao Hospital Amadora Sintra e quando estavam a cavaquear sobre a vida, uma coruja voou direita à janela do quarto do doente e logo procurou pousar por ali. O Ventor foi buscar a máquina de fotografar e procurou a coruja que tinha pousado por cima da segunda janela à esquerda daquela. O Ventor todo encantado, aponta a máquina com a coruja pousada a olhar para ele, mas a máquina não disparou!


Voltou a tentar mais duas vezes e nada! O Ventor já danado, reviu a máquina, a bateria, tudo, e ao voltar a tentar, nada! A coruja levantou voo e foi pousar lá longe, na esquina da zona Leste do Hospital e ficou a olhar para o mesmo sitio onde o Ventor se encontrava. No dia seguinte, 6ª feira, o Ventor voltou ao Hospital e por razões que não interessam, deixou que as pessoas fossem fazendo a visita, ficando ele para mais tarde


A verdade é que não estava com vontade de subir e acabou por vir embora sem fazer a visita. Na noite seguinte o amigo e familiar acabou por morrer. A sua morte estava adiada desde Agosto e só, ultimamente, foi cinco dias a casa, regressando ao Hospital de onde só voltou para caminhar para junto do Senhor da Esfera. Na noite que ele morreu, enquanto o Ventor sonhava, eu ouvi uma discussão entre o Ventor e a coruja!


coruja19.png


Dizia a coruja ao Ventor que ele já estava tão por baixo que já nem sabia interpretar os sinais! E sabem uma coisa? Aqui o vosso amigo Quico acha que a coruja tinha razão! Mas a verdade é que o nosso amigo Quim partiu deste mundo e a coruja avisou o Ventor que se despedisse dele que não o veria mais!


Avisou-o no Hospital e avisou-o em sonhos. Discutiram muito o Ventor e a coruja e quando o Ventor acordou transpirava e até se sentou na cama e abraçou-se a mim, dizendo-me que também os meus olhos pareciam de coruja. A nossa dona dormia e eu assistia a mais esta batalha do Ventor com as crenças e as supersticões deste mundo.

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Ventor e o vespeiro

Mais uma história do Ventor e das vespas que aconteceu ontem.


Diz o Ventor que ia num carreiro e junto às suas pernas, apareceu uma algazarra voadora. Esvoaça daqui, esvoaça dali, reparou à volta das suas pernas e viu umas quantas vespas de abdómen vermelho, umas quantas moscas das grandes mais ao lado a esvoaçarem à fresca da manhã. Pirou-se tudo! Gostava de fotografar uma vespa destas - disse o Ventor! Olhou para o chão e viu apenas este buraco.


Abr,12 029.jpg


Um buraco solitário. O Ventor voltou a olhar e vê esta vespa voar em direcção do buraco e enquanto ela ia voando fotografou-a.


Abr,12-vespvm.jpg 


Uma vespa


Depois tirou outra já melhor e foi disparando a máquina quando ouviu a bom som. Sai cá para fora. Não tenhas medo. É o Ventor!!! Mas nada saía e o som de dentro das profundezas do buraco era imperceptível. No entanto a barrigudinha continuava a apelar para uma resposta do buraco.


Abr,12-vesp-vm3.JPG


Sai! Sai ... Dizia esta barrigudinha! A barrigudinha vermelha parou no chão frente ao Ventor e continuou a fazer o apelo para que saíssem do buraco.


Abr,12-vespvm2.JPG


Espera Ventor que ela vai sair! "Ela"? Sim! A nossa rainha está lá dentro com medo de ti e ... Olha! O Ventor olhou e viu esta envergonhada vespona amarela que vinha das profundezas da sua tenda de Primavera, para apreciar e honrar Apolo. Mas antes pensou que nunca sairia enquanto o Ventor por ali estivesse, pois ela recordou-se dos males que as suas gerações ascendentes têm feito no mundo. Morrem cinco vezes mais pessoas picadas por vários tipos de vespas que mordidas por serpentes venenosas.


Abr,12-vesprainh.jpg


Espreitou, espreitou e, num ápice, saíu do encurralamento, dizendo ao Ventor que fotografias não! Que ele agora andava armado numa espécie de "paparazi"! A barrigudinha vermelha olhou o Ventor e disse que também ia e partiu rindo alto, por julgar que a sua rainha tinha medo do Ventor e afinal ela achava o Ventor um paparazi e não queria ser fotografada por ele nem por ninguém. Tem horror às fotografias. Este nosso Ventor anda metido em cada uma! Agora é com as vespas!

Adeus Amigos

Tive de partir. Agora deixo-vos sós com o Ventor. Que o Senhor da Esfera vos ajude a todos. A mim já me levou. Pedi ao Ventor para public...